Thursday, March 15, 2007

"Despite all the rhetoric about being family-friendly, we have structured a society that is decidedly unfriendly... What's missing now is a movement. What's missing now is an organization. That's why MomsRising is so important."
Senator Barack Obama, 9/28/06

Apesar de toda retórica que diz que nós somos, nós estruturamos uma sociedade que é decididamente o oposto… O que está faltando agora é um movimento. O que está faltando agora é uma organização. É por isso que MomsRising é tão importante.”
Senador Barack Obama, 28/09/06

Quando o então presidente Clinton aprovou a lei autorizando a licença maternidade (que na verdade também incluia licença para cuidar de familiares doentes) em 1993 muita gente comemorou. Eu fiquei chocada ao descobrir que a licença maternidade não era remunerada!

Além do mais, o tempo que a mulher tem direito a ficar afastada, embora a lei sugira 12 semanas, também pode depender do empregador. Bom, a menos que a mulher tenha um marido, parceiro ou parceira que esteja trabalhando e ganhando o suficiente para cobrir pelo casal ela não vai realmente poder desfrutar da licença maternidade.

Em 2002 a Califórnia finalmente aprovou uma lei que garante a licença maternidade remunerada se a empresa tiver mais que 50 empregados. A Califórnia foi o primeiro estado a passar essa lei e o único onde licença maternidade é remunerado. Outros estados estão tentando aprovar leis semelhantes. A lei na Califórnia dita que a mulher ou o homem pode receber 55% do salário durante seis semanas. É melhor que nada, mas ainda assim…

Legalmente a licença maternidade ou licença família é tratada como “disability”, ou seja, quando o funcionário está afastado porque está enfermo e recebendo da previdência. Associar gravidez à “disability” me incomoda profundamente. Para mim não é só uma questão de semântica. Gravidez não é uma doença e muito menos uma deficiência.

Enfim, eu sempre me considerei feminista. Mas o que me incomoda no movimento feminista é a total invisibilidade das necessidades da mulher enquanto mãe. Em revistas como Working Mother tem sempre uma mulher feliz e elegante, vestida com um terninho, carregando uma pastinha numa mão e uma criança sorridente na outra.

Mas a realidade da maioria das mães que eu conheço não é bem assim. Creche e escolinhas de boa qualidade custam tão caro que às vezes não compensa todo o sacrifício que a mulher tem que fazer para trabalhar fora. Mesmo quando as crianças estão maiores ainda é difícil, especialmente durante os longos meses de verão. Na área onde eu moro há uma abundância de summer camps, uma espécie de colônia de férias. Porém o custo é astronômico. É uma situação frustrante na qual todos acabam perdendo.

Estava mais do que na hora de um movimento como MomsRising (Mães se erguendo).

Eu li no sítio do MomsRising que mulheres que são mães têm 44% menas chances de conseguir o mesmo emprego que mulheres que não são mães e possuem o mesmo nível de qualificação; uma mulher sem filhos ganha 90 centavos para cada dollar que um homem ganha, a mulher com filhos ganha 73 centavos e a que á mãe solteira ganha apenas 60 centavos.

Isso explica porque há tantas mulhere e crianças vivendo na pobreza em um dos paises mais ricos do mundo. Mulheres que moram em paises industrializados com leis que protegem famílias não se sentem penalizadas pela sua opção de ter filhos.

O objetivo do MomsRising é organizar milhões de pessoas que estão interessadas em demandar uma plataforma que inclua as necessidades de famílias na eleição presidencial de 2008 assim como no panorama politico americano em geral. A organização foi criada em maio do ano passado e já conta com 50 mil participantes e mais de 50 parcerias com outras organizações.

18 Comments:

Anonymous Alexandra said...

Talvez para combater a baixa taxa de natalidade, o governo do Canada tem passado muitas normas boas nesse sentido. No momento a mulher tem direito a 1 ano de licenca maternidade remunerada e mais 1 ano nao remunerado se quiser ou trabalhando meio expediente. Essa licenca pode ser tirada tanto pelo homem quanto pela mulher e muitos casais dividem / um tira 6 meses e outro tira outros 6.

Legal, ne_

3:01 AM  
Blogger Sofia said...

Regina,
estou perplexa! Nunca pensei que nos EUA ainda fosse necessário discutir esse assunto de licença de maternidade. Pensamos sempre que eles estão mais avançados do que nós em tudo e parece que não é assim. Aqui em Portugal, a licença de maternidade remunerada é um direito instituído há muito tempo. A luta agora é pelo aumento de tempo da licença.
Incrível!
Beijinhos.

4:32 AM  
Blogger Lili said...

Lá não devem ter o mesmo problema que aqui, onde as empresas evitam contratar mulheres em idade de engravidar. Será que isso sempre será uma desvantagem?

9:08 AM  
Anonymous anita said...

excelente post, regina.

apesar do salário mísero no brasil, lá as leis trabalhistas estão anos luz à frente das daqui.

10:54 AM  
Blogger Denise Arcoverde said...

Ecelente post, mais uma vez, Regina! a situação das mães nos EUA é terrível, deve ser um dos piores do mundo.

Mas, quanto às feministas, acho que no Brasil existe uma compreensão muito grande, por parte delas da importância de defender a maternidade, vale lembrar que foi o movimento feminista, nenhum outro, quem garantiu nossa licença maternidade de 4 meses, com kmuita mobilização nas ruas.

Beijão!

8:03 PM  
Blogger Regina said...

Alexandra,

Uau, muito bom! Alias, o Canada parece estar anos luz a frente dos E.U.A. em termos de politicas sociais.

Bjs.

Regina

11:24 PM  
Blogger Regina said...

Sofia,

Pois e, eu tb fiquei chocada quando descobri a realidade das leis trabalhistas por aqui. Nesse sentido, de "primeiro mundo" os E.U.A. nao tem nada.

Bjs.

Regina

11:25 PM  
Blogger Regina said...

Lili,

Acho que aqui nao fazem isso tao descaradamente como no Brasil, mas nao me surpreenderia.

Em muitos casos a mulher acaba tendo de escolher entre familia e trabalho. Realmente lamentave e um tapa na cara de uma geracao como a minha que sempre achou ser possivel conciliar os dois.

Bjs.

Regina

Bjs.

Regina

11:27 PM  
Blogger Regina said...

Anita,

Concordo plenamente como voce: em termos de leis trabalhistas o Brasil da de 10 a 0. As ferias aqui tambem sao uma piada: duas semanas e as vezes nem remuneradas sao.

Bjs.

Regina

11:29 PM  
Blogger Regina said...

Denise,

Obrigada!

Voce tem razao em relacao as feministas no Brasil. Eu estava pensando mais no movimento feminista inciado por mulheres brancas e de classe media aqui. Sim, porque eu tambem aprendi que existem diferencas entre o feminismo tradicional, if you will, e o feminismo defendido por "women of color" nesse pais.

Beijos,

Regina

11:30 PM  
Anonymous Alexandra said...

Regina,

Uma forma que o Canada encontrou de evitar que haja discriminação em relação a contratar mulheres jovens como às vezes há em empresas brasileira com medo de ter que pagar licença maternidade, é fazer a licença maternidade ser um "seguro" pago pelo governo. Ou seja, a mulher sai em licença maternidade e o governo passa a cobrir o salário dela (na verdade é uma proporção, acho que elas tem direito a 70-80% do salario). O emprego dela é garantido por dois anos e a empresa então usa o salário que pagava a funcionária para contratar outra pessoa como temporária para cobrir as funções do(a) funcionário(a) de licença.

A licença de um ano existia no Quebec - que tem mais programas sociais que as outras provincias - e agora é usado no resto do país.

5:22 AM  
Anonymous Alexandra said...

O problema das leis trabalhistas brasileiras é que são muito onerosas para o empregador, o que incentiva muito o trabalho informal. Acho que tem que ter um meio termo. É claro que aqui não estou falando da licença maternidade, que até acho pouca no Brasil.

5:25 AM  
Anonymous Rosana said...

Ainda bem que no Brasil já podemos contar com a licença maternidade remunerada. Eu pude pelo menos aproveitar esse tempo com meu primeiro filho antes de voltar ao trabalho. É um absurdo não considerar a maternidade como um momento tão especial e garantir a família o necessário para viver com dignidade. Nós mulheres ainda temos muito que conquistar!!! O direito de ser mãe é mais um deles.
Beijos

8:32 PM  
Blogger Regina said...

Ro,

Pois e, voce teve sorte!


Bjs.

Regina

12:25 PM  
Blogger oakleyses said...

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