Thursday, May 31, 2007

Venus as a Boy - Bjork



Hoje li no blog da Letícia que entre as coisas que ela considera atraente no sexo oposto está a “feminilidade.” Eu desconhecia essa palavra, mas me identifiquei com o sentimento. Sempre adorei homens que têm uma energia andrógina. Não estou me referindo ao tipo metrossexual que adora se produzir o tempo todo. Estou me referindo aos homens que não se sentem ameaçados pelo seu lado feminino; homens que não têm medo de mostrar o quanto são vulneráveis; homens sensíveis e criativos que sabem que a roupa não faz o homem; homens que desafiam esteriótipos; homens que são amorosos e que sabem cuidar bem das suas crias; homens que são seguros de si e por isso não são possessivos; homens que não sentem a necessidade de se impor para sentir poderosos; homens que apreciam beleza em todos os níveis; homens atentos que sabem como proporcionar prazer. Para que eu me sinta em casa, o meu amante deve ser “Venus as a Boy.”

Embora a letra dessa música possa ser considerada erótica, eu sempre a associei com meninos e homens que fogem à regra, como o meu filho e seu pai. Eu vi esse vídeo pela primeira vez quando o meu filho tinha uns três anos. Nessa época ele adorava os vestidos que descobriu no baú de fantasias da escola. A estória ia mais ou menos assim: “se você pode fazer de conta que você é um tigre ou um dinosauro, que diferença faz se você fizer de conta que é uma princesa, uma dançarina, etc.?” Ele tambem adorava imitar tudo quanto era bicho.

Nunca passou pela cabeça do pai dele fazer qualquer comentário machista. Hoje em dia, o meu filho não passeia mais de vestido pela casa, mas há pouco tempo ele ainda emprestou um collant lilás da irmã para fazer de conta que era roqueiro de heavy metal (vai entender). Para mim, é fácil de compreender o fascínio das crianças menores, tanto meninas como meninos, com as fantasias destinadas às meninas: essas são coloridas, bordadas, cheia de coisinhas brilhantes. Além disso o número de opções é bem maior. Se uma menina se veste de bombeiro todo mundo aplaude, mas se um menino se veste de princesa a casa cai.

A situação é a mesma no que diz respeito à moda infantil. Muitas das roupas para os meninos, pelo menos aqui nos Estados Unidos, são super sem graça e em tons de cinza, verde escuro, cor-de-vinho, cores que associo mais com o vovô aposentado. Eu vestida o meu menino com muita coisa vermelha e cheguei a ouvir de algumas pessoas que vermelho era uma cor mais para menina. Pode? Desde de quando cor tem genêro? Na verdade, antigamente o azul era considerado uma cor para meninas por ser considerado delicado e associado à Virgem Maria. O rosa, por sua vez, era visto como uma cor mais forte derivada do vermelho e, portanto, recomendado para meninos. A mudança, pelo menos nos Estados Unidos, só veio a ocorrer nos anos 40 e 50.

O fato de morarmos em Berkeley, que de certa forma ainda é considerada a capital hippie do país, também ajuda. De vez em quando a gente vê algum rapaz barbado de saia. Faz parte da nossa paisagem urbana. Uma fez por ano vamos ao High Sierra Music Festival, um festival de música e arte onde o pessoal se veste de forma bem alternativa e ninguém repara. Adoro pessoas que se recusam a se conformar com o status quo. São esses rebeldes, com suas cores às vezes berrantes, que enriquecem a fauna humana.

Leia aqui a letra da música (em inglês).

Wednesday, May 30, 2007

Coisinhas

Passei o dia me sentindo meio blues... O dia cinzento não ajudou muito, mas pelo menos rendeu esse por-do-sol lindo visto da marina de Berkeley. Acho divertido escrever essas listinhas. A Denise, a Sofia e a Elena também escreveram. E o Leandro (não sei se ele já tem um blog) escreveu uma bem bonitinha na caixinha de comentários da Denisa. Listinha, caixinha, esse “inha” do português é uma coisa tão bonitinha.

Enfim, vamos à lista:

Eu quero... viajar.

Eu tenho... a cabeça povoada de sonhos.

Eu acho... que ainda tenho muito o que aprender.

Eu odeio... injustiça, ganância e mentira.

Eu sinto... saudades.

Eu escuto... música do mundo todo.

Eu cheiro... manga no supermercado e as flores do meu bairro.

Eu imploro... por um sistema de saúde que incluía todos os moradores desse país.

Eu arrependo-me... da vez que não segui a minha intuição.

Eu amo... meus filhos, meu marido, minha mãe, minha irmã, meus sobrinhos, família de toda parte, meus amigos e meus bichinhos.

Eu sinto dor... quando vejo animais e crianças sendo maltratados.

Eu sinto falta... de tomar café com a minha irmã.

Eu importo-me... com as mulheres e as crianças vítimas de violência.

Eu sempre... penso demais – I have a busy head.

Eu não fico feliz... quando meus filhos não estão felizes.

Eu acredito... em respeito, em solidariedade, na bondade e no amor.

Eu danço... sempre que posso.

Eu canto... quando estou dirigindo.

Eu choro... facilmente, mas procuro disfarçar.:-)

Eu falho... comigo mesma.

Eu luto... por uma sociedade mais justa, tolerante e pacífica.

Eu escrevo... um blog e alguns poeminhas.

Eu ganho... experiência.

Eu perco... as chaves e às vezes a cabeça.

Eu nunca digo... nunca.

Eu confundo-me... (de vez em quando) com as línguas.

Eu estou... exausta.

Eu sou... um livro quase aberto.

Eu fico feliz... quando está tudo tranquilo em família.

Eu tenho esperança... que aos poucos as coisas vão mudando.

Eu preciso... aquietar a minha mente.

Eu não consigo... ir para cama cedo.

Eu deveria... ser mais organizada.


Tuesday, May 29, 2007

Mosaic

Hoje fui levar o meu filho para um desses acampamentos da escola. Ele vai passar cinco dias com as crianças da classe dele e outras crianças da mesma série de outras escolas. O lugar era lindo em meio a vinhedos na área de Napa Valley.

O acampamento faz parte de uma organização bem interessante chamado Mosaic. Essa organização recebeu o Peace Prize em 2005 outorgado pela Agape Foundation que financia projetos que promovem a mudança social através da não-violência. O programa do camp convida escolas com populações e culturas bem distintas para passar cinco dias participando de atividades na natureza e trabalhando com técnicas de mediação de conflito (conflict resolution). Nesse ano, das escolas participantes uma é particular (do tipo bem liberal), a segunda é uma escola pública e a terceira é um charter school. Charter schools recebem dinheiro do governo mas têm mais flexibilidade em termos de implementação de currículo. Nesse caso, os alunos dessa escola são em sua maioria children at risk, ou seja que crianças que estão correndo risco de não conseguir terminar os estudos e que vêm de famílias em situações de abuso, negligência ou que estão passando por algum tipo de crise.

Os jovens trabalhando no camp têm experiência lidando com populações diversas. Acho bom para o meu filho ver jovens em posição de liderança. Acho importante também que ele aprenda a lidar com pessoas em posições diferentes da dele. Esse é o seu segundo ano participando do programa. No ano passado, um menino de outra escola não acreditava que ele era menino por ter o cabelo comprido. Isso nunca tinha acontecido com ele em sua escola, onde meninos e meninas com aparência que fogem à regra é bastante comum. Em princípio, ele ficou irritado com o menino, mas depois ele se deu conta que aquele tipo de comentário era apenas um sinal de ignorância.

Meu filhos frequentam uma escola progressista que integra métodos de mediação de conflito como parte do currículo. As crianças já estão acostumadas com o vocabulário e conseguem articular bem as suas diferenças. Uma das coisas que as crianças fazem numa situação de conflito é chamar um “I to I” (que significa mais ou menos “Do Eu para o outro Eu” e é um jogo de palavras porque a pronúncia é como “Eye to Eye,” ou “Olho no Olho). A criança ofendida escreve num pedaço de papel com quem está experenciando conflito e do que se trata. Na hora do almoço, as duas partes sentam para expor o seu caso. Geralmente um adulto atua como mediator, mas com a prática as crianças acabam lidando com isso elas mesmas.

Eu observo a maneira como os meus filhos conseguem expor as suas divergências. Eles são super articulados mesmo quando estão exaltados e na maioria das vezes conseguem chegar a algum acordo sem interferência minha. Eles têm uma amizade linda e muito próxima. Minha filha ontem estava aos prantos porque o irmão ia viajar e hoje ainda estava triste quando fui apanhá-la na escola. Foi difícil para ele também.

Adoro vê-los brincando juntos, construíndo com blocos, inventando música ou criando mundos imaginários na praia. Eles têm um cumplicidade e uma relação que é só deles com as suas próprias estórias, fantasias e piadas que apenas eles entendem. Ás vezes eu me sinto completamente de fora, mas não importa. Acho a amizade deles preciosa e espero que esta perdure quando eles forem adultos. I couldn’t ask for more!


Monday, May 28, 2007

Memorial Day

Hoje foi o Memorial Day, dia de barbeque, liquidação e começo de verão. Ah, dia também de lembrar os soldados mortos em combate e reinvidicar direitos para os veteranos de guerra. Eu estava dirigindo na freeway quando vi duas pessoas, uma de cada lado, segurando uma faixa enorme que dizia NO WAR. No mais foi um dia lindo, desses bem californianos, difícil de lembrar - mesmo nesse Dia da Memória, que a milhares de milhas daqui, no Iraque, centenas de pessoas estão morrendo todos os dias.


Memorial Day

Dia da Memória

Veteranos de guerra

Montados em motorcicletas

Desfilaram pelas ruas de Washington

Para lembrar os soldados mortos

Mas e os vivos?

Os que voltam enloquecidos,

Os que gritam na calada da noite,

Os mutilados, os de olhos arregalados,

Os que perderam a memória

Os homeless da minha esquina


Para os soldados mortos,

As salvas de canhão

As fileiras de cruzes nos cemitérios

As bandeiras ao vento

Flores e nome no monumento

Rituais de memória coletiva

Mas e os civis?

Será que há espaço

Em algum monumento,

Para escrever os nomes das crianças,

das mulheres e dos idosos

Mortos nessas guerras?


Memória belicosa

Amnésia histórica

Foto: Google Image, as usual.

Madrugada em Plutão

São 2:16 da manhã e uma lua quase cheia me espia pela janela. Acabo de assistir um filme muito bom, dica da Andrea: Breakfast on Pluto (Café da Manhã em Plutão), Inglaterra e Irlanda, 2005. O filme, dirigido por Neil Jordan, conta a estória de Patrick “Kitten” Braden, um transsexual que foi abandonado pela mãe quando ainda era bebê. Filho de um relacionamento entre uma empregada e padre de uma pequena cidade irlandesa, Patrick é criado por uma família adotiva que não aceita o seu jeito afeminado. Na adolescência ele deixa a família e vai para Londres à procura da mãe. A inocência de Patrick é emocionante, ele é de uma doçura quase infantil e vive sua vida como dentro de um sonho. O filme lida também com a questão política e com os atentados terroristas dos anos 70 na Irlanda e na Inglaterra. Cillian Murphy é impecável como Patrick e Liam Neeson também está muito bem como Padre Bernard. A fotografia é belíssima.

Às vezes eu imagino a agonia que deve ser se sentir como se você tivesse nascido no corpo errado. Como será sentir uma rejeição profunda pelo próprio corpo? E a rejeição pela família? Fico pensando na violência que os transsexuais – essas meninas vivendo em corpos com genitália masculina - sofrem. É claro que também há meninos vivendo em corpos com genitália feminina. Mas eu acho que por causa da homofobia e do machismo meninos afeminados correm um risco maior de serem agredidos físicamente. Sempre me identifiquei com aqueles que por alguma razão não se encaixam nos padrões vigentes, nesse caso, os que são estrangeiros em sua própria carne.


Esse filme me fez lembrar de um outro que vi já faz tempo e também adorei. Trata-de Ma Vie en Rose (Minha Vida em Cor-de-Rosa), um filme belga sobre a vida de Ludo, uma criança transsexual que acredita piamente que quando ele crescer ele vai “virar” uma mulher. O filme é sensível e retrata bem a inocência infantil em suas explorações sobre a identidade sexual e a ambivalência dos pais em como lidar com essas questões.

Fotos: Google images.

Friday, May 25, 2007

Lokua Kanza - Plus Vivant



Pascal Lokua Kanza nasceu em abril de 1958 em Bukavu, na província de Kivu, na República Democrática do Congo, antigo Zaire. Ele é o mais velho dos oito filhos de pai Mongo e mãe Tutsi, originalmente da Ruanda. Em 1964 a família mudou-se para um bairro de classe média de Kinshasa. Mas após a morte de seu pai, sua mãe foi obrigada a mudar-se para uma área mais pobre e Lokua teve de começar a trabalhar para ajudar no sustento da família. Com apenas oito anos de idade, ele continuou a frequentar a escola meio-período enquanto fazia pequenos trabalhos, entre eles cantar nas igrejas. Ele mora em Paris desde 1984, onde frequentou a CIM, uma das maiores escolas de jazz e música moderna da Europa. Sua música, delicada e quase melancólica, difere muito do Soukouss, estilo tradicional e mais agitado de música do ex-Zaire.

Por meses e meses eu havia escutado várias cançoes desse cantor na rádio Música do Mundo pela internete sem saber quem ele era. Acontece que por alguma razão, aqui eu não consigo ver o nome dos artistas e das músicas que eles estão tocando. Um belo dia a minha amiga Cris escreveu um comentário em um dos meus posts falando que através dessa rádio (que inicialmente havia sido uma dica minha) ela tinha descoberto Lokua Kanza. Dei uma pesquisada e voilá, resolvido o mistério.

Hoje foi um dia muito importante para a Cris, portanto fica aqui o meu carinho.

Sítio oficial de Lokua Kanza (em francês). A letra de Plus Vivant.


Bom fim de semana a todos!

Alors, Cris
Heureusement
C’est Vendredi soir, presque Samedi

Voici, ça c’est mon petit cadeau...


Thursday, May 24, 2007


Filmes atemporais (para mim):

Hoje em dia eu não vou no cinema com frequência. O preço das entradas está cada vez mais caro e eu sempre tenho pagar alguém para ficar com as crianças (ou pedir para uma amiga). Acabo então esperando até os filmes sairem em dvd.

Mas quando eu morava no Brasil e ainda estava na faculdade, um dos meus passatempos favoritos era ir ao cinema. As várias salas dos Cine Belas Artes na Avenida Consolação, o Cineclube do Bixiga e o Instituto Goethe eram os meus favoritos. Além disso todos os sábados tinha sessão de cinema na minha faculdade. Eu não perdia uma.

Minha paixão pelo cinema começou aos 11 anos quando assisti algum filme do Fellini na Sessão Coruja da Globo. Acho que era Julieta dos Espíritos. Eu me lembro também da primeira vez que assisti Um homem, uma mulher, de Claude Lelouch. Eu nem sequer tinha vivido a minha primeira estória de amor, mas achei o filme lindo, romântico e melancôlico.

Graças a querida Denise e sua lista acabei lembrando de muitos filmes que eu adoraria ver de novo.

E voces, tem algum filme antigo ou diretor que lhe marcou? Acrescentarei as respostas na lista abaixo.

Minha lista (incompleta):

Sétimo selo (Det Sjunde Inseglet) – Ingmar Bergman

Fanny e Alexander – Ingmar Bergman

Furyo, em nome da honra (Merry Christmas, Mr. Lawrence) – Nagisa Ojima

A mulher do lado (La Femme d'à Côté) – François Truffaut

AmarcordFrederico Fellini

E la nave va – Frederico Fellini

Roma de Felllini– Frederico Fellini

Zabriskie Point Michelangelo Antonioni

Vertigo - Alfred Hitchcock

Mamãe faz cem anos (Mamá cumple cien años)– Carlos Saura

Cria Cuervos – Carlos Saura

Ana e os Lobos (Ana y los lobos) – Carlos Saura

Tampopo - (Juzo Itami)

As lágrimas amargas de Petra Von Kant (Die bitteren Tränen der Petra von Kant) Rainier Werner Fassbinder

O desespero de Verônica Voss (Die Sehnsucht der Veronika Voss)

Lili Marlene (Lili Marleen) – Rainer Werner Fassbinder

O casamento de Maria Braun (Die Ehe der Maria Braun) – Rainer Werner Fassbinder

O enigma de Kasper Hauser (Jeder für sich und Gott gegen alle (Kaspar Hauser) – Werner Herzog

Nosferatu (Nosferatu: Phantom der Nacht) – Werner Herzog

As Asas do Desejo (Der Himmel über Berlin) – Wim Wenders

Paris, Texas – Wim Wenders

A marca da pantera (Cat People) – Paul Schrader

Fome de viver (The hunger) - Tony Scott

ManhattanWoody Allen

Hannah e suas irmãs (Hannah and her sisters) – Woody Allen

Noivo neurótico, noiva nervosa (Annie Hall) - Woody Allen

Deus e o Diabo na Terra do SolGlauber Rocha

Filmes brasileiros que assisti aqui já faz algum tempo:

Central do Brasil Walter Salles

O Que É Isso Companheiro?Bruno Barreto

Foto: La Dolce Vita, Fellini (via Google Images, of course)

Atualização:

Outros filmes que acabei esquecendo de mencionar ontem:

Acossado (À Bout de Souffle) – Jean-Luc Godard

Blade Runner, O caçador de Andróides (Blade Runner) – Ridley Scott

O último metrô (Le dernier métro) - François Truffaut

Trilogia das Cores: A liberdade é azul (Trois Couleurs: Bleu) - Krzysztof Kielowski

Trilogia das Cores: A igualdade é branca (Trois Couleurs: Blanc) - Krzysztof Kielowski

Trilogia das Cores: A fraternidade é vermelha (Trois Couleurs: Rouge) – Krzysztof Kielowski

(excelente lembrança da Letícia – Azul foi o meu favorito da trilogia)

A dupla vida de Veronique (La Double Vie de Veronique) - Krzysztof Kielowski

Os Silêncios do Palácio (The Silences of the Palace) - Moufida Tlatli (Túnisia/França)

A Insustentável Leveza do Ser (The Unbearable Lightness of Being) – Phillip Kaufman

Tempo dos Ciganos (Time of the Gypsies) - Emir Kusturica





Wednesday, May 23, 2007

As Sete dos Dez - Algumas bobeirinhas a meu respeito

Hoje li essa listinha na Andrea e fiquei com vontade de fazer o mesmo. Eu gosto dessas listinhas de saber do que pessoal gosta (ou não gosta). A Alexandra também fez uma listinha semelhante com perguntas e respostas (em inglês) há pouco tempo.

1. Sete coisas que faço bem:

- fotografar

- fazer amizade

- multitask (fazer muitas coisas ao mesmo tempo)

- aprender outras línguas

- dormir

- escrever

- sambar no pé

2. Sete coisas que não faço e não sei fazer:

- andar bem de bicicleta

- nadar

- andar de patins

- esquiar

- ver novela

- ver filme de ação, violência ou luta

- trocar pneu (chamo o AAA, serviço de estrada daqui)

3. Sete coisas que me atraem no sexo oposto:

- inteligência

- charme

- senso de humor

- vulnerabilidade

- sensibilidade

- responsabilidade (o que inclui saber cozinhar - ou pelo menos tentar aprender, saber cuidar de casa e de criança)

- boca (lábios carnudos e bem feitos, yum) :-)

4. Sete coisas que não suporto no sexo oposto:

- machismo

- desonestidade

- desrespeito/grosseiria

- desinformação (falta de interesse no que se passa ao seu redor)

- indiscrição

- homem que passa horas vendo jogo na tv

- galinhagem

5. Sete coisas que digo com frequência:

- Pô, meu!

- Jesuuus!

- Hallo/hola/salut/hi/oi

- Beijo-tchau.

- F***!

- S***!

- Bom

6. Sete atores/atrizes que admiro :

- Johnny Depp

- Kate Winslet

- Fernanda Montenegro

- Susan Surandon

- Meryl Streep

- Marilia Pêra

- Marco Nanini

7. Sete filmes favoritos:

- The Double Life of Veronique

- Eu sei Que vou te Amar

- Il Postino

- Little Children

- Night on Earth

- Wings of Desire

- Water

8. Sete autores favoritos (estou com muito sono para pensar no nome dos livros agora) :

- Arundathi Roy

- Carlos Drummond de Andrade

- Clarice Lispector

- Alice Walker

- bell hooks

- Paulo Leminsky

- Joan Didion

9. Sete lugares favoritos (ok, foi ímpossivel mencionar só sete):

- Paris

- Nova York e Berkeley

- Salvador (e Imbassaí, que fica bem pertinho)

- Veneza

- Sampa

- Berlim e Mainz

- Amsterdam e Naarden

10. Sete pessoas que desafio a responder as perguntas acima:

Fica aqui o convite para quem quiser compartilhar.

Monday, May 21, 2007


Mi Carmecita!

Minha filha começou a estudar Flamenco faz quase três meses. Ontem foi o primeiro show dela com a companhia da professora. As meninas abriram o show dançando um trecho de Carmen e uma coreografia de Tangos. Estavam todas fofíssimas. Depois das meninas vieram as outras dançarinas com várias coreografias diferentes. Foi com dar uma voltinha na Andaluzia via San Francisco, como música ao vivo e todo o drama do flamenco.

Durante as classes as meninas tem que usar um collant e uma saia longa e rodada. A mesma roupa foi usada durante o show. Passei semanas visitando todos os brechós da vida (aqui são os Goodwill, Salvation Army e Thrifty Town) e não achei nada. Daí tentei as outras lojas. Quem mora aqui, conhece Target, Ross, Marshall’s e Mervins. Essas são lojas de rede. Fui em várias do mesmo nome. Dirigi feito uma doida procurando a tal saia. E nada.
Pensei até em fazer, e olha que eu não sou muito prendada. Mas daí descobri que uma lycra de boa qualidade custaria uns $15 por yard (um pouco menos que um metro). Eu precisaria de pelo menos quatro yards. Fazendo as contas sairia mais de $60.

Finalmente, resignada, telefonei para uma loja especializada em artigos de dança. A saia de flamenco infantil custaria $65 antes do imposto, quer dizer quase $75! Por via das dúvidas, resolvi dar uma última passada numa Ross que havia por perto. Todos esses dias eu andava procurando a saia no departamento de crianças, onde eu encontrava sainhas ciganas, dessas com babados, mas não do comprimento suficiente.
É claro que eu não encontrei nada. Mas desda vez, não sei porque me ocorreu de checar o departamento de mulheres. Pensei que seria mais fácil reformar uma saia grande que fazer uma
do nada. Encontrei uma vermelha de bolinhas brancas tamanho 4/pequeno (imagino que no Brasil deve ser tamanho 34). Embora eu já imaginasse que fosse funcionar no comprimento (no joelho para uma mulher adulta), pensei que teria que dar uma apertada na cintura para servir na minha filha. Pois, para minha surpresa, a saia ficou perfeita!

Agora a minha surpresa maior é como que uma saia destinada para uma mulher adulta pode caber na cintura e no quadril de uma menina de 7 anos? Qual teria que ser o peso dessa mulher adulta? Se o tamanho quatro serviu na minha filha que não tem nenhum sobrepeso, fico só pensando qual será a largura de uma saia tamanho 2 ou 0 e a magreza da mulher que conseguir vestir tal saia.

Abaixo um pouco de flamenco com Yaelisa, professora da minha filha. Vale la pena, checar esse link para o myspace onde há um outro vídeos belíssimos dela. Ela pisou num tablado pela primeira vez quando tinha quatro anos de idade e já recebeu vários prêmios. Olé!

Solea - Yaelisa



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Friday, May 18, 2007


Des'ree - I ain't movin'
Título do vídeo: Homofobia já era

Estava perambulando pelo youtube quando encontrei esse vídeo editado por Elenita Rodrigues, moderadora da Comunidade Homofobia Era no orkut. Achei o trabalho bonito. O título fala de homofobia, mas na verdade, o trabalho lida também com outros tipos de preconceito. Adorei a trilha sonora da cantora inglesa Des’ree.
Des’ree é uma cantora britânica, cujos pais vêm do Caribe. Ela deu início a sua carreira quando regressou à Inglaterra após ter passado três anos em Barbados. Sua música incorpora influências de calipso, reggae, jazz e música pop inglesa. Enjoy!

Leia a letra da música aqui. Se alguém precisar de ajuda com a tradução de algum trecho é só perguntar na caixinha de comentários. Não encontrei a tradução já pronta e estou exausta para traduzir agora.

Diversidade é dádiva

Eu não me considero uma pessoa necessariamente otimista. No entanto, acredito na curiosidade humana e no poder da educação. Existe em todos nós o potencial da mudança, mesmo que seja só uma semetinha num canto escuro qualquer. Muitas vezes, basta algum amigo ou alguém da família ser aberto o suficiente para abrir o caminho.

Os pais podem aprender com os filhos adultos. Cabe a nós, os filhos, desafiar os preconceitos e, gentilmente, convidá-los a expandir os horizontes. Cabe a todos nós incluir na nossa comunidade e em nosso círculo de amizades pessoas que são “diferentes” de nós, quaisquer que sejam essas “diferenças.” É construíndo essas pontes que descobrimos que essas diferenças não passam de uma ilusão.

Tenham um bom fim de semana, have a nice weekend, shones wochenende!



O patinho afeminado

Uma vez, estavámos deitados na cama conversando antes de dormir e o meu filho, que na época tinha uns sete ou oito anos, virou para mim e disse:

- Acho que quando eu crescer eu quero ser gay.

(Ele já conhecia o termo gay para homens que amam homens e lésbicas para mulheres que amam mulheres – definição que achamos apropriada para essa idade.)

- Hum, o que fez você pensar nisso?

- É que o S. e o J., um casal gay que ele conhece, são tão legais.

Acredito o preconceito em suas várias manifestações nasce da ignorância, do medo do Outro. Quando você consegue se enxergar no Outro e se dá conta que temos muito mais em comum do que parece, fica mais difícil ser intolerante. Na verdade, vejo na diversidade humana razão para celebrar, o que é algo que vai muito além da mera tolerância. Posso estar soando muito hippie e bicho-grilo para alguns, mas trata-se de algo mais profundo.

É claro, que viver numa área onde ser diferente é a norma facilita muito esse processo. Considero uma benção fazer parte de uma comunidade tão diversa quanto à de Berkeley e de San Francisco. Na escola dos meus filhos, por exemplo, há muitos tipos de família, além da nuclear. Tem crianças que foram adotadas aqui, crianças que foram adotadas internacionalmente, pais com mais idade, mães solteiras, e muitas crianças com duas mães. Meus filhos falavam sobre quem é a birth mom (a que deu a luz) de quem ou se essa menina foi adotada com uma total naturalidade. Desde de dois anos de idade, quando começaram a frequentar o jardim de infância, eles já ouviam a expressão “Love is what makes a family” (É o amor que faz a família).

O mesmo ocorre com esteriótipos de genêro. Para o meu filho rosa é apenas uma cor como qualquer outra e minha filha adora jogar basquete e brincar com blocos de madeira.

Hoje eu estava conversando com o meu marido sobre homofobia. Acho que o tema ficou meio que guardado no seu insconciente porque na hora de ler um livro para a minha filha, ele escolheu The Sissy Duckling (O Patinho Afeminado) escrito pelo ator Harvey Fierstein e ilustrado por Henry Cole. Eu ouvi a minha filha comentando depois da leitura que ela gostava das ilustrações e da estória. Quando mais tarde perguntei a ele se a escolha tinha sido proposital, ele disse que não. Então, foi uma feliz coincidência.

O livro, que é indicado para a faixa etária entre 4 e 8 anos de idade, conta a estória de Elmer, um patinho diferente que gosta de arte, de assar biscoito, de desenhar e de fazer show de fantoches. Os outros patos o ridiculam na escola e o chamam de afeminado. Mesmo o seu próprio pai o despreza. Ele acaba fugindo de casa. Quando os patos têm que voar para o sul para a sua migração anual, o pai é ferido e fica para trás. Elmer salva o pai e durante o processo de restabelecimento, os dois se tornam próximos. No final das contas, ele é aceito pela comunidade e até homenageado por sua bravura.

A estória é doce e capta a imaginação das crianças ao mesmo tempo lidando com questões difícies como o assédio na escola e a rejeição pela própria família. O legal desse livro também é que ele mostra que as pessoas mudam, pois as personagens aprendem e tudo acaba num final feliz.

Eu já tenho esse livro há um tempo. O meu filho também gostava da estória. Creio que todos nós podemos nos identificar com o Elmer, porque todo o mundo já foi “diferente” por alguma razão na vida. Acredito que estórias infantis ajudam as crianças a entender temas que possam parecer complicados para a sua idade. O livro também dá oportunidade à pessoa que está lendo de estrapolar o tema da estória para situações reais.

Nunca é cedo demais para se educar as crianças sobre a homofobia, o racismo, o sexismo, o anti-semitismo, etc.

Na verdade, uma das coisas que mais especificamente me chocou hoje foi ler no sítio do Grupo Gay da Bahia que 50% dos assassinos de homessexuais eram jovens com menos de 21 anos de idade.

Leia mais sobre homofobia na Denise, onde os cometário estão excelentes, diga-se de passagem.

Thursday, May 17, 2007


Homofobia mata

A homofobia começa com piadinha e pode terminar em morte.

Eu poderia falar aqui sobre o assédio e a humilhação que os homossexuais enfrentam em sua vida diária, das piadinhas de mau gosto à agressão verbal e qualquer outro tipo de preconceito mais explícito; poderia também elaborar sobre os meus privilégios enquanto pessoa heterossexual, tais como poder expressar o meu afeto em público e os direitos adquiridos através do casamento.

Para ir mais a fundo, eu poderia falar sobre o número de gays, lésbicas, travestis, transsexuais e transgêneros que são assassinados nos Estados Unidos, no Brasil e muitas outras partes do mundo. Mas pessoas não são números. Cada uma tem um nome e uma estória com seus sonhos, seus amigos, seus amores e suas famílias. Nesse caso, eu penso em Matthew Sheppard, o estudante americano que foi morto a pancadas em Laramie, Wyoming, em 1998 quando tinha apenas 22 anos. Relembro também o rosto lindo e jovial de Gwen Araújo, que era anatomicamente masculina, e morreu após ser brutalmente espancada por um grupo de rapazes que se sentiram ofendidos ao descobrir a sua identidade biológica. Ela tinha 17 anos r morava a uma hora de onde eu moro.

Mas eu quero falar sobre o meu amigo. Em dezembro de 1993, o meu amigo José Maria Coelho Andrade, o Zelito, foi assassinado à facadas em seu próprio apartamento. O criminoso nunca foi pego.

Ele era uma pessoa meiga que adorava escrever, ir ao cinema, ler e ouvir música.

Nós nos conhecemos trabalhando em um Café no Bixiga, um dos bairros boêmios de São Paulo. Passamos muitas madrugadas juntos, madrugadas que só terminavam com o café da manhã em alguma padaria ou no Dunkin’ Donuts da Praça da República. Em noites de muita gorgeta, saíamos do Café às cinco da manhã depois de fechar o caixa, caminhávamos até a Rua Augusta e amanhecíamos o dia tomando café da manhã no Hotel Bristol.

Nas segundas à noite, quando não tínhamos que trabalhar, íamos com um grupo de amigos ao Madame Satã, uma danceteria alternativa da época. Dançamos muito ao som de Sade, Everything But the Girl, The Smiths, e a Ma Vie en Rose com Grace Jones. Em outras noites, íamos ao Cine Clube ver filme de arte. Ele me apoiou muito quando me apaixonei por um americano e decidi sair do Brasil. Ele estava lá no aeroporto para se despedir.

Trocávamos cartas, fotos e poesias. No verão de 93, quando eu passei dois meses no Brasil fazendo pesquisa para a minha tese, nós nos encontravámos com frequência. Ele me disse que estava planejando adotar um filho. Essa foi a última que eu o vi.

Em dezembro do mesmo ano, uma amiga em comum me ligou aos prantos para dar a notícia. Foi como se alguém tivesse me dado um murro no estômago e eu senti uma dor das mais profundas. Quando eu estava grávida com o meu filho ele me “visitou” num sonho.

Eu escrevi o seguinte poema para ele, em janeiro de 94:

Numa noite de verão

Ele se juntou aos Querubins e Serafins

Sua partida,

assim como pela porta detrás,

a todos surpreendeu.

Inclusive a ele próprio,

Que sempre foi

Um moço de boas maneiras.

Outra noite, eu o vi

No trem das 9:17

De passagem por San Francisco.

Ele estava acompanhado por dois amigos alados,

E com um sorriso gaiato

Me acenou

Mostrando-me suas novas asas.

A Denise também escreveu sobre homofobia.


Dia Mundial Contra a Homofobia

Hoje é o Dia Mundial de Luta Contra a Homofobia que está sendo comemorado por organizações em 30 paises, incluindo o Brasil. Infelizmente, os Estados Unidos ainda não estão entre esses paises, mas acredito que isso deve mudar porque o movimento GLBT é bem forte aqui.

Leia mais sobre outros paises participantes aqui e aqui sobre a recente onda de assassinatos de gays no Brasil. O primeiro link é para a IDAHO – International Day Against Homophobia – For a Universal Decrimalization of Homosexuality (IDAHO – Dia Internacional contra a Homofobia – Pela Discriminalização Universal da Homossexualidade). O segundo é para o Grupo Gay da Bahia (leia na íntegra no link acima), segundo a qual o Brasil é campeão mundial de crimes homofóbicos:

SALVADOR, BA, 12/02/07 - Face à recente escalada de assassinatos de homossexuais no Brasil, um homicídio por dia nos primeiros dez dias de fevereiro, o Grupo Gay da Bahia lança a campanha “Gay vivo não dorme com o inimigo”, alertando aos homossexuais como evitar ser a próxima vítima. Cobra também do Presidente Lula tirar do papel e concretizar o Programa Brasil sem Homofobia, que prevê dezenas de ações afirmativas para a cidadania de gays, lésbicas, transgêneros e bissexuais.

Em janeiro foram 9 assassinatos de gays e travestis, uma média de um homicídio a cada dois dias. Nestes primeiros 10 dias de fevereiro, a mortandade é ainda mais assustadora:11 assassinatos! 20 homicídios em 40 dias. Estes números confirmam triste realidade: o Brasil é campeão mundial de crimes homofóbicos homicídios em que a condição existencial da vitima, sua homossexualidade, foi o motivo principal, ou agravante do “crime de ódio”.

Fico feliz em saber que muitas atividades estão ocorrendo no Brasil para marcar essa data importante. Recebi o seguinte texto da minha amiga Laura:

Nessa quinta-feira, dia 17 de maio, os homossexuais de todo o mundo celebram o Dia Mundial Contra a Homofobia, data escolhida pelo francês Louis-Georges Tin, autor do Dictionnaire de l'Homophobie (PUF-2003), e que marca o dia em que há 17 anos a Organização Mundial da Saúde (O.M.S.) decidiu retirar a homossexualidade de sua lista de doenças mentais.

A causa já foi adotada por organizações em mais de 30 paises, incluindo o Brasil, e nessa quinta-feira diversos atos serão realizados. No Brasil entidades gays de norte a sul do país se manifestam e cobram o fim da homofobia, além de pedir a aprovação do PLC 122/2006, que criminaliza a homofobia em âmbito nacional e atualmente tramita no Senado.

Confira abaixo a programação dos principais manifestos que acontecem nessa quinta pelo Brasil.

Brasília

Acontece no Salão de Retratos do Ministério da Justiça, às 17h, um importante encontro da ABGLT com o Ministro da Educação, Tarso Genro, o Ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vanucci, a Ministra do Turismo, Marta Suplicy e a Ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. Os ministros irão divulgar uma nota referente ao Dia Mundial Contra a Homofobia e uma nota de apoio ao PLC 122/2006.

Curitiba

O Grupo Dignidade entregará no centro da cidade, das 10h às 17h, um jornal especial através do qual se explica a origem e a importância do Dia Mundial Contra a Homofobia. Durante o ato, que acontecerá na Boca Maldita, será distribuído também um Passaporte da Cidadania GLBT, que traz dicas sobre segurança, direitos humanos e saúde.

A data será lembrada também com pronunciamentos na Câmara de Vereadores de Curitiba e na Assembléia Legislativa do Paraná. Além da data ser mundial, ela recentemente também entrou oficialmente no calendário municipal da capital paranaense.

"Eu sempre digo que nós não temos nada a comemorar, mas temos que lembrar as milhares de vitimas que foram mortas e as outras que sofreram agressões. Temos que mostrar para a sociedade que temos que discutir mais políticas públicas a favor dos GLBT", afirmou Igo Martini, coordenador do Dignidade e do Projeto Aliadas.

Porto Alegre

O nuances - Grupo pela Livre Expressão Sexual, transferiu o protesto contra o Papa - inicialmente marcado para o domingo, dia 13 de maio – para esta quinta-feira, dia 17, para aproveitar o Dia Mundial Contra a Homofobia.

Intitulado "Pela Liberdade das Mentes e dos Corpos, exigimos um Estado Laico", o protesto acontece a partir do meio-dia na Esquina Democrática, no Brique da Redenção.

Niterói

Às 21h desta quinta o Grupo Diversidade de Niterói (GDN) realiza um ato público na Praça da Cantareira, no bairro de São Domingos. A intenção, segundo os organizadores, é reunir cerca de 300 pessoas para cobrar o fim da homofobia.

"O que eu acho mais bacana do dia 17 é que a gente tem vários dias municipais de combate a homofobia, mas essa data é legal por ser mundial e congrega todo mundo nessa luta", garante Renato Marques, presidente do GDN.

Aracaju

Na capital sergipana o Astra - Direitos Humanos e Cidadania GLBT entrega na Câmara de Vereadores e na Assembléia Legislativa um documento intitulado "Ato em Protesto ao Dia 17 de Maio - Dia Mundial Contra a Homofobia".

Segundo Tatiane, presidente da entidade, esse manifesto cobra do governo estadual e municipal políticas de inclusão da comunidade GLBT, capacitação dos policiais para atenderem os homossexuais, assim como a capacitação de professores para lidarem com a diversidade sexual nas escolas.

"A homofobia não é só o ato de se agredir. A homofobia pode estar todos os dias em serviços essenciais do estado, quando esses serviços essenciais estão administrados por pessoas homofóbicas", afirmou Tatiane.

Fortaleza

Para discutir questões relacionadas a homofobia, acontece na Câmara Municipal de Fortaleza, às 15h, uma audiência pública. O ato é organizado pelo vereador Guilherme Sampaio e pela Coordenadoria da Diversidade Sexual de Fortaleza, juntamente com o Grupo de Resistência Asa Branca.

"Essa data é importante porque está constituindo políticas públicas locais que enfrentem a homofobia", declarou Francisco Pedrosa, presidente do Asa Branca.

Maceió

Na capital alagoana o Grupo Gay de Alagoas (GGAL) realiza um ato público, a partir das 14h, na praça Dom Pedro II em frente à Assembléia Legislativa, onde serão colocadas 28 cruzes pretas e nominais para lembrar as vítimas da homofobia no estado.

"A homofobia é o lado mais cruel da discriminação pela orientação sexual, precisamos combater os crimes com essa motivação, já que nos anos 2006 e 2007 registramos 28 assassinatos em Alagoas, número bastante preocupante e assustador que requer uma ação efetiva dos órgãos de segurança pública e justiça, visando responsabilizar judicialmente os culpados por esses bárbaros homicídios", afirmou o presidente do GGAL, Igor Nascimento.

Salvador

Em um ato que acontecerá na frente da Câmara Municipal, às 15h, o Grupo Gay da Bahia lerá a relação de assassinatos de homossexuais no Brasil, segundo a lista organizada pelo grupo. Já às 19h haverá uma audiência pública na Câmara Municipal para debater esse tema.

"Essa é uma data simbólica que provoca uma reflexão mais profunda sobre a real situação dessa população no Brasil inteiro. Embora tenhamos tido muitos avanços, a homofobia continua muito presente na sociedade", ressaltou Marcelo Cerqueira, presidente do GGB.

Wednesday, May 16, 2007


Às vezes a vida é um gelato de rosas...

Pela primeira vez na vida tomei um gelato feio de rosas. Eu nem sabia que isso existia até eu entrar na Gelateria Naia. Achei a idéia meia estranha de início, mas é sempre bom experimentar coisas novas. Eles tinham um outro gelato com sabor de flor: violeta. Experimentei um pouco, mas esse eu achei que tinha gosto de perfume. Decidi então misturar com um outro sabor que tinha um gosto parecido com aquelas bolacha champagne usadas para fazer pavê. Uma delícia!

Fiquei ali, meio invísivel, observando a garotada novinha da universidade e saboreando o meu gelato. Eu adoro a noite. Às vezes eu gosto de andar pelas sombras e observar a vida como se eu estivesse do lado de fora, como se eu fosse um fantasma urbano coletando fragmentos.

As fotos a seguir foram tiradas por mim hoje à noite. Basta clicar na foto para ampliá-la.



















Tuesday, May 15, 2007


Conversas na mesa do jantar

e o exército de sonhadores

Há algumas semanas eu senti saudades de algumas das músicas da Kate Bush que eu ouvia com um rapaz do País de Gales, com quem trabalhei logo que cheguei por aqui. Ele tinha um sotaque adorável e me ensinou muitas gírias. Além de Kate Bush, ele gostava de Joe Jackson. Eu já a conhecia desde quando era adolescente no Brasil, mas para falar a verdade eu só me lembrava da sua voz super aguda e de uma música: Wuthering Heights. Ela estava com 19 anos.

Fui dar uma procurada no Youtube e descobri alguns vídeos dela, entre eles o Army Dreamers. Essa música faz parte do cd "The Whole Story", lançado em 1986. No entanto, ela já havia sido lançada em 1980 como um single. A letra se enquandra perfeitamente nos dias atuais.

Os meus filhos também adoram ver clips de música no youtube e estavam por perto. Pois bem, hoje durante o jantar, a minha filha pediu para ouvir essa música. Como eu não tenho esse cd, usei o computador ao fundo. Eu notei que num determinado momento ela ficou pensativa e parou de comer. Perguntei o que estava acontecendo e ela sem hesitar respondeu:

- I feel sad because if this country invades another country and goes to war, that country will want to take revenge. (Estou triste porque se esse país invade um outro país e começa uma guerra, esse outro país vai querer se vingar.)

- (!)

Minha salada quase parou na garganta. Eu respondi:

- Você é uma menina muito inteligente e sábia. Você, aos sete anos, já se deu conta de algo que o presidente não consegue ou se recusa a ver.

Eu também disse que no ano que vem termina o mandato dele e que pela primeira vez eu também vou poder votar. Aproveitei a deixa para falar sobre a importância de exercer o direito do voto. Nunca é cedo demais para falar dessas coisas. A apatia da população daqui que se recusa a votar ainda me choca.

Depois do jantar assistimos o vídeo no youtube e conversamos sobre as mães que perdem seus filhos nas guerras. Meus filhos não assistem notícias na televisão e eu tento o máximo que posso evitar que sejam expostos às imagens de violência e guerra. Mas é como se a guerra estivesse pairando no ar e consequentemente no imaginário das crianças.

O interessante é que hoje eu passei no blog da Denise e vi as fotos lindas da passeata organizada pelo Code Pink em Washington D.C. Eu não sabia que o Code Pink estava também organizando uma passeata em San Francisco no domingo, Dia das Mães. Se eu soubesse teria ido. Uma pena. Em San Francisco, descobri hoje, as mães atravessaram a Golden Gate Bridge simbolizando um cortejo fúnebre. Fiquei com essa imagem na cabeça e é claro, a antena parabólica da minha filha deve ter pescado isso no ar.

Army Dreamers – Leia a letra aqui em inglês ou a tradução aqui.



Monday, May 14, 2007


Les Nubians

Acabo de chegar de uma noitada quase mágica. Fui assistir a um show das Les Nubians como presente do Dia das Mães. Fui sozinha porque o Kai tinha de ficar com as crianças. O show foi no Great American Music Hall em San Francisco. Primeiro não tinha trânsito nenhum na ponte, o que é raro. Mais raro ainda foi encontrar lugar para estacionar na frente do clube. Isso NUNCA acontece em San Francisco. Geralmente acabo dando voltas e mais voltas no quarteirão e acabo estacionando bem longe.

Sentei numa área (aqui chamam de balcony, balcão, creio) bem acima do palco ao lado de um casal que parecia bem simpático. Do meu lado sentaram outras duas mulheres jovens. Começamos a conversar antes do show. Por aqui tem geralmente um opening act, uma banda menos conhecida que faz a abertura do show antes da atração principal.

Num determinado momento eu ouvi o rapaz do lado dizendo que gostaria de convidar esse artista para ir tocar na Libéria. Como o meu sogro era da Libéria fiquei de antena ligada, mas decidi ser discreta. No entanto, eles me ouviram conversando com as outras moças, notaram o meu sotaque e perguntaram de onde eu era. Aproveitei a ocasião para perguntar se ele era da Libéria e expliquei que o meu sogro, que já é falecido, era da Libéria. Ele virou para mim e disse que conhecia um contrabaixista fenomenal (his words) que era parte liberiano e que o nome dele era Kai Eckhardt! Quando eu falei que se tratava do meu marido ele quase caiu da cadeira. Falamos sobre a guerra civil que assolou o país por dez anos e que finalmente há esperança com Ellen Johnson-Sirleaf, a primeira mulher a ser eleita para presidente no continente africano. Ele me disse que agora era uma época boa para visitar porque tem muitas coisas interessantes acontecendo por lá. Eu disse então que que estávamos muito empolgados com todas essas notícias. Ele vira pra mim e diz que a primeira mulher presidente é sua tia. Aí, quem quase caiu da cadeira fui eu. Para finalizar ele comentou que a apresentadora do clube não estava pronunciando o nome do grupo corretamente e lembrou a pronúncia adequada em francês. Descobrimos que também falávamos um pouco de francês e alemão.

O show foi incrível. Elas cantaram as minha canções prediletas e eu cantei junto feito uma doida. Os músicos que as acompanharam eram bem talentosos e as irmãs têm uma energia incrível. Elas são bem politizadas e fizeram comentários sobre a guerra, a violência, o meio ambiente. Elas falaram também sobre o corpo feminino e como as mulheres devem aceitar e apreciar as suas curvas. Elas cantam em francês (algumas canções em inglês) mas são completamente bilingues.

Um pouco de informação sobre Les Nubians. Les Nubians é o nome de um dubla “afropéia” (elas mesmas se definem assim) de R&B e hip hop. A dubla, que foi nominada para um Grammy, é composta por Hélène (nascida em 1975) e Célia Faussart (nascida em 1979). Elas nasceram em Bordeaux, região famosa pelos vinhos na França. O pai é francês e mãe dos Camarões. Quando elas tinham dez e seis anos de idade respectivamente, a família se mudou para o Chad e lá permaneceu por sete anos. Hoje elas comentaram que já presenciaram uma guerra no Chad quando eram crianças e que não desejam isso à ninguém.

Por último, gente me ajudem, que nasce em Camarões é o que? Sem piadinhas, por favor, realmente eu não sei.

Se a dubla aparecer onde voces moram não deixem de dar uma checada. Vale a pena.

Nesse sítio voces podem ouvir um pouco de várias músicas das Les Nubians.

Esse vídeo no youtube foi gravado ao vivo em Berlim. Há outros vídeos melhores no youtube, mas eu gosto dessa música e achei legal o fato de ser ao vivo.


O nome dessa música é Demain. Você pode checar a letra aqui. Aqui vai um trechinho:

Tu crois que le monde est à toi
Qu'il t'appartient
C'est ta chose, tu en disposes
Sans qu'il n'en reste rien
Avide et gourmand, tu prends
Peu importe demain.
Demain?
S'il reste un lendemain
Je le veux en paix pour les miens.

Você cre que o mundo é seu
Que ele te pertence
Que ele é uma coisa tua
Para se desfazer até que não reste mais nada
Avidamente você o toma
Pouco importa o amanhã
Amanhã?
Se resta um amanhã
Eu o quero em paz para os meus.

Perdoem a minha tradução macarrônica e sonolenta.

O sítio delas no myspace é bem bacana. Vale a pena checar. Esse aqui é o sítio oficial (em francês e inglês).



Sunday, May 13, 2007


Dia das Mães

Esperando Danilo...

Esperando Naima

Um dia cheio de dengo e preguiça...


Minha irmã e minha mãe, com quem continuo aprendendo.
Espero que todas tenham desfrutado um dia maravilhoso
junto aos filhotes.



Saturday, May 12, 2007

Je pense à toi



Je pense à toi, mon amour, ma bien aimée
Ne m'abandonnes pas, mon amour, ma chérie

Quand je suis dans mon lit
Je ne rêve qu'a toi
Et quand je me reveille
Je ne pense qu'a toi

Je pense à toi, mon amour, ma bien aimée
Ne m'abandonnes pas, mon amour, ma chérie

Si je ne te vois pas, je ne peux rien dire
Je ne peux rien faire, je ne peux rien voir
Je ne veux rien savoir, mon amour, ma chérie

Je pense à toi, mon amour, ma bien aimée
Ne m'abandonnes pas, mon amour, ma chérie

Certains t'ont promi la Terre
D'autres promettrent le Ciel
Y'en a qui t'ont promi la Lune
Et moi je n'ai rien que ma pauvre guitare

Je pense à toi, mon amour, ma bien aimée
Ne m'abandonnes pas, mon amour, ma chérie

Estou sem acesso a internete em casa. Fiquei plantada a tarde toda em casa esperando o pessoal que ia averiguar o problema e nada! Espero poder voltar no domingo.

Em todo caso fica aqui o meu carinho para todas as mães.


Friday, May 11, 2007

Reinventando Babel

Eu e meu marido nos conhecemos aqui, embora ele ainda estivesse morando na Alemanha. Na época nos dois já falávamos inglês bem. Eu não falava alemão, nem ele português. Todos os filmes de Herzog ou Fassbinder que eu tinha assistido no Instituto Goethe em São Paulo não me prepararam os ouvidos para a minha primeira visita à Alemanha. Eu me lembro de estar no apartamento ouvindo o meu então namorado conversando com os amigos em alemão. Mais uma vez eu me encontrava na mesma situação de quando cheguei nos Estados Unidos: captando apenas sons, mas sem entender nada ou quase nada.

Eu nunca pensei que seria possível viver uma relação tão íntima e intensa numa terceira língua. Além das diferenças culturais, tínhamos que traduzir as sutilezas do relacionamento através de um terceiro filtro. Para que chegássemos a nos conhecer foi necessário pegar um avião, ir até um outro país, estar no mesmo lugar por menos de uma semana e ter aprendido um outro idioma: o inglês. O lado positivo da situação é que nós dois estávamos no mesmo barco; nenhum tinha vantagem sobre o outro.

O engraçado é que por incrível que pareça, o alemão tem algumas palavras e expressões de origem latina e, portanto, parecidas com o português. Às vezes quando estávamos conversando e nos faltava a palavra em inglês, eu tentava a palavra em português ou ele em alemão. Na maior parte das vezes conseguíamos deduzir o que o outro queria dizer assim, numa mistura de contexto e associação cultura e linguística. Esse processo de dedução/associação entre os dois idiomas, português e alemão, ainda acontece quando estou conversando com algumas das minhas amigas alemãs.

Quando decidimos ter filhos eu sabia que ia falar com eles em português. Em primeiro lugar, porque o português é a minha língua materna. Sem a habilidade de falar e entender português meus filhos não teriam acesso à minha estória e às experiências que informam em grande parte a pessoa na qual eu me tornei. Tampouco teriam acesso a todo um universo cultural conectado com a língua portuguesa. Em segundo, eles não conseguiriam se comunicar com a minha família no Brasil. Por último, eu acho importante que os meus filhos falem outras línguas. Vivemos em um país que se orgulha do seu isolamento e cujo idioma é considerado língua franca no mundo, o que, na minha opinião, torná-se imperativo que as crianças aprendam que o mundo é muito mais vasto e interessante que um só país.

O meu marido começou a falar em alemão com eles quando eram bebês. Eu também quiz aprender alemão para ter acesso a uma parte da vida dele que aconteceu em alemão e a para melhor entender a sua cultura. Eu brinco que aprendi alemão por osmose. Entendo muito mais do que falo porque nunca estudei formalmente. Mas hoje em dia, consigo me comunicar com ele em parte em alemão. Ele também entende mais português hoje em dia, graças aos filhos, porque sempre ele me ouve falando em português com as crianças. Ele também fala francês, o que ajuda um pouco com o português.

Uma vez por semana nos encontramos com um grupo de cinco famílias para fazermos atividades em português. Algumas atividades são estruturadas, outras não. O importante é normalizar o uso da língua portuguesa e cultivar experiências positivas associadas à cultura brasileira. A intenção é também criar-se um contexto onde todas as pessoas no grupo falam o mesmo idioma. Dessa forma, a criança não se sente como parte da única família a utilizar essa língua estranha. Fazemos o mesmo do lado alemão. As crianças tomam aulas, as mães socializam e celebramos tradições e jogos infantis. No começo, era o meu marido quem levava as crianças ao grupo. Depois de um tempo, eu comecei a levá-las. Foi assim que eu aprendi alemão. Todas as mães no grupo são alemãs, exceto eu. Elas se comunicam o tempo todo em alemão. Com o tempo, eu fui aprendendo e hoje em dia consigo fazer parte do bate-papo.

Em casa, eu falo com as crianças em português, o pai em alemão (e um pouco em inglês), entre eu e ele inglês e alemão, e as crianças geralmente respondem em inglês. Às vezes quando estamos a sós eu e ele também usamos um pouco de francês, just for fun. Meus filhos também conseguem ler em português e alemão. É uma loucura quando estamos em lugar público, como num restaurante. As pessoas ao redor ficam tentando identificar que língua estamos falando e nós continuamos alternando de uma para outra.

É normal que as crianças respondam em inglês porque é a língua na qual se sentem mais à vontade e na qual se sentem mais competentes. Há também a pressão do meio ambiente e da escola. Mas o importante é que os pais não parem de usar a língua materna, mesmo que as crianças respondam em outra língua, nesse caso o inglês. Eu já vi muitas famílias que desistem de usar o outro idioma porque a criança só responde em inglês. O que acontece então é perda total da língua materna, a perda da identificação cultural com o país de origem dos pais e o rompimento nos laços afetivos com a família que reside no país de procedência dos pais. Muitas dessas crianças quando adultos tentam recuperar e reaprender o idioma. Alguns deles culpam os pais por tê-los negado esse direito.

Embora o ideal fosse que meus filhos respondessem no idioma no qual estão sendo falados, eu não exijo que eles me respondam o tempo todo em português porque não quero que eles percam o carinho pelo idioma e pela cultura brasileira. Conheço adultos que foram forçados a falar a língua dos pais quando eram pequenos e hoje em dia não a utilizam mais e nem sequer têm o mínimo interesse em transmiti-la para os seus filhos. Eu sei que os meus filhos sabem falar português porque sempre respondem em português quando estão falando com outros brasileiros aqui ou quando visitamos o Brasil.

Além do mais, no caso dos meus filhos, eles já lidam com três idiomas na família e aprendem espanhól na escola. Há muitas outras crianças por aqui numa situação semelhante, então para eles isso é completamente normal. Eles me ouvem conversando com a minha vizinha e com o pediatra que são mexicanos ou com a mãe da amiguinha venezuelana em espanhól, com o dono de restaurantizinho aqui do lado onde compramos bolinhos de batata em francês (no meu francês macarrônico, mas ainda assim). Como as línguas de origem latina têm muito em comum, e crianças são gênios líguisticos com cérebros que funcionam como esponjas, pular do português para espanhól ou francês é para elas quase natural. Por exemplo, a minha vizinha fala com eles em espanhól. Eu sei que eles entendem porque respondem de volta em inglês. Outro dia, o meu filho estava mostrando Titeuf, um desenho animado de um menino meio punk em francês no youtube para um amiguinho. O amigo não estava entendendo nada. Então o meu filho começou a "traduzir" para o amigo, que por sua vez perguntou como ele sabia francês. A resposta dele estava na ponta da língua: “eu não sei, só sei que sei.” Obviamente, isso não significa que os meus filhos são seres superdotados ou que sejam fluentes em todos esses idiomas, mas tenho certeza que se um dia decidirem se aprofundar em um deles não terão dificuldade alguma.

Ensinar um outro idioma é um dos melhores presentes que podemos dar aos nossos filhos. E nesse caso, não custa nada, já está em casa.

Arte: Sônia Menna Barreto, Casa da Cultura (via Google Images). Vale a pena clicar na imagem para melhor poder ver os detalhes.

Thursday, May 10, 2007


Um samba diferente

Para celebrar a Semana Latino Americana professora de espanhól dos meus filhos convidou o coral da qual ela faz parte para um show na escola. Eles cantaram canções de vários paises da América Latina. Ela também demonstrou danças folclóricas da Argentina. Até ontem eu não sabia que existia uma forma de dança na Argentina chamada Samba (foto). Comemos empanadas e alfaror de sobremesa.

Uma das canções que eles cantaram foi Las Obreras, do grupo chileno Quilapayún.

Quilapayún - Las Obreras


Qué lindas son las obreras,

como las estrellas,

trabajando noche y día.

Qué alegres son las obreras,

bailemos con ellas.

En su telar de esperanzas,

como las estrellas,

florece la nueva vida.

Qué alegres son las obreras,

bailemos con ellas.

Corriendo de amanecida,

como las estrellas,

los delantales volando,

Qué alegres son las obreras,

bailemos con ellas.

Así comienzan el día,

como las estrellas,

lo saludan trabajando.

Qué alegres son las obreras,

bailemos con ellas.

Si supiera que cantando,

como las estrellas,

algún alivio te diera.

Qué alegres son las obreras,

bailemos con ellas.

Mi canto dejar quisiera,

como las estrellas,

en tus manos de hilandera.

Qué alegres son las obreras,

bailemos con ellas.

Sítio oficial: Quilapayún. Você pode ouvir um pouco da música aqui.


Wednesday, May 09, 2007


Coisa de criança antenada

Minha filha ultimamente deu de querer fazer buscas no computador. Ela já até conhece o nome dos browsers que utilizamos. Outro dia ela estava reclamando do Mozilla Fire Fox. Eu normalmente não a deixo mexer no computador sem supervisão, mas como o computador fica ligado a maior parte do tempo, ela acaba encontrando um jeitinho quando eu não estou olhando.

Hoje quando eu a peguei tentando fazendo uma busca, ela estava super frustrada e me disse:

- The computer lost completely its memory. I googled Arthur and look what I found. I was looking for Arthur, the anteater, not this or this. (O computador perdeu completamente a memória. Eu busquei Arthur e veja só o que eu encontrei. Eu estava tentando encontrar o Arthur, o tamanduá, não esse cara ou esse aqui.)

Quem precisa saber sobre o escritor Arthur Miller, o contrabaixista Arthur Maia, o filósofo Arthur Schopenhauer se você já conhece um tamanduá chamado Arthur.


Tuesday, May 08, 2007

O medo e seus segredos

O Forasteiro fez um comentário aí embaixo que me fez refletir. Ele disse que tem medo que o tempo passe depressa demais. Quando eu era pequena e tinha medo de lagartixa, aquele bichinho gelado, inofensivo e quase transparente que o meu filho acha uma gracinha, o tempo passava devagar demais. Eu não via a hora de crescer, conseguir um trabalho e ser independente.

Agora o tempo passa depressa demais. Não tenho medo de envelhecer. O tempo é generoso com as pessoas que sabem aceitá-lo com graça. Hoje em dia sou muito mais resolvida e estou de bem comigo mesma. Tampouco tenho medo da morte, contanto que ela não seja muito ríspida. O que tenho medo é de não ter tempo suficiente para fazer tudo que quero fazer na vida.

Quando era jovem, sempre achei que não passaria dos 35 anos. Na época eu não andava muito bem com a vida já fazia um bom tempo. Mas um dia, eu estava entediada no trabalho e resolvi escrever uma lista de coisas que eu ainda queria fazer antes de morrer. Uma das coisas era visitar Paris.

Pois bem, o tempo passou e se encarregou de me levar para muitos outros lugares. Ultrapassei os 35 com um certo alívio e agora eu quero muito mais. Quero tanto que às vezes eu sinto uma urgência como se os meus dias estivessem contados. E de certa forma estão. Para todos os nós.

O truque do tempo é saboreá-lo no presente.

O medo - Die Angst

O medo devora a alma como já dizia Fassbinder no filme Angst essen Seele auf (Ali: Fear eats the soul). O título (que é incorreto gramaticamente de propósito – o correto seria Angst isst Seele auf) literalmente significa “o medo devora a alma.” O filme conta a estória de um casal: ele, um marroquino imigrante de trinta e poucos anos e ela, uma senhora alemã de sessenta anos. É uma estória de amor e de o medo de tudo que é diferente gera o preconceito e envenena as relações humanas. Assisti esse filme há muito tempo no Instituo Goethe, em São Paulo, mas essa frase ficou gravada na minha mente.

Eu fui uma criança muito medrosa. Tinha medo do escuro, de baratas, de ambulâncias, de policiais e de homens barbados ou com óculos. Uma vez, quando eu tinha mais ou menos uns três anos de idade, meu pai e eu estávamos no ponto do ônibus quando eu avistei um policial. Além de uniformizado, o policial tinha bigode e usava óculos. Eu fiz um escândalo tão grande que o meu pai precisou me levar para a casa.

Hoje em dia eu tenho medo da fome, da guerra, da violência, da tortura, da loucura, dos bandidos e da polícia. Sim, ainda tenho medo da polícia. Outro dia eu estava dirigindo e avistei quatro carros de polícia cercando um adolescente. Embora eu não tivesse nada a ver com o peixe, a minha reação foi visceral, como se alguém tivesse me dado um murro no estômago. Fiquei com aquele gosto estranho na boca e me levou horas para recuperar o meu groove.

Eu me lembro muito bem que em São Paulo, quando costumava voltar para a casa de madrugada, eu estava sempre alerta para os dois: os bandidos e a polícia. Uma vez, eu estava caminhando no centro com uma amiga quando uns caras começaram a nos seguir. Nós reagimos dizendo que nos deixassem em paz. Nisso uma viatura da polícia vinha passando. Os policiais ao invés de nos ajudar ameçaram de levar todos para o distrito, inclusive nós que estávamos sendo assediadas! Nós só nos safamos porque na época eu trabalhava num jornal e mostrei o meu crachá que naquele momento serviu para alguma coisa.

Eu já passei por muitas situações amedrontantes. Já fui ameaçada de morte e senti um medo tão grande, daqueles de paralizar o corpo e secar a garganta. Quando ando pelas ruas à noite, sinto-me como um radar ambulante, altamente consciente dos meus arredores. Adoro caminhar, mas jamais caminho em trilhas em parques como muitas pessoas fazem por aqui. Pode ser coisa de urbanóide, mas eu me sinto muito mais segura no centro de uma cidade grande rodeada de prédios que na natureza. Por aqui algumas pessoas têm medo de pumas (alguns já foram vistos por joggers). Eu tenho medo é de psicopatas. Acampar sozinha então, jamais.

Eu também tenho medo de andar de bicicleta no trânsito, de escuridão total, de montanha russa e de serpentes. Um dos meus maiores medos era dirigir. Eu tinha um pavor tão grande que as minhas mãos ficavam suadas, os dedos enrijecidos de segurar o volante com tanta força. Esse foi um dos medos que finalmente conquistei. Hoje em dia adoro dirigir.

Então, um dos meus projetos de vida é conquistar alguns dos meus medos. Nesse final de semana conquistei mais um. Quando estava caminhando pela rua na Festa do Cinco de Maio avistei um senhor com uma jibóia no pescoço. Pedi para tirar uma foto para mostrar para o meu filho. Ele me ofereceu a cobra para eu segurar. Inicialmente eu disse que era muito amável da parte dele, mas que não, obrigada. Um grupo de pessoas foi se formando ao nosso redor para segurar aquela serpente enorme. Aprendi como o meu marido que é sempre bom desafiar os medos, principalmente esses completamente irracionais, como medo de cobra. Finalmente, criei coragem e decidi aproveitar a oportunidade para lidar com um dos meus grandes medos. Superar um medo é uma sensação muito boa. Devolvi a cobra e me senti toda poderosa por algumas horas.

E você, tem medo de que?

Monday, May 07, 2007

Olho digital



Minha câmera é minha companheira constante nas minhas andanças diárias. A lente da câmera é o meu olho digital. Nunca se sabe o que os meus olhos vão encontrar: uma folha perfeita, uma pedra redonda e lisa, a minha sombra contra o muro, a luz dourada que banha as tardes californianas, um inseto repousando sobre uma flor, as últimas gotas de chuva a ponto de escorrer de algum galho, as linhas simétricas formadas pelos fios que cruzam o céu, um anjo de cemitério apontando para as nuvens, as tulipas anunciando a primavera, as cores de abril. São imagens que coleciono na minha memória. Quando o dia está cinzento ou meu coração azulado posso acessar o meu banco de imagens e assim me lembro do quanto adoro estar viva.

Boa semana!

Fotos tiradas no Mountain View Cemitery, em Oakland, num final de semana chuvoso de abril.

Sunday, May 06, 2007


Dimanche à Bamako
Domingo em Bamako


"Le dimanche à Bamako, c'est le jour des mariages"


Os meus filhos adoram essa música e cantam o refrão juntos quando estamos dirigindo e ouvindo esse CD no carro. A música é de Amadou e Mariam, um casal de cegos do Mali que tem feito bastante sucesso na Europa e nos Estados Unidos. Amadou trabalhava como guitarrista em um grupo formado por Salif Keita. Mais tarde conheceu a vocalista Mariam no Instituto para Pessoas Cegas Jovens. Estão juntos há 25 anos.

Adoro a música do Mali e do Senegal e a tradição dos griots, contadores de história oral através da música. Tenho muita vontade de visitar esses dois paises.

Amadou et Mariam (sítio oficial em francês e inglês).


Saturday, May 05, 2007


Que Viva Mexico!
Viva La Raza!

Vivan los Latinos (incluindo os brasileiros que são latinos também)!

Hoje passei a tarde em Fruitvale, o bairro latino de Oakland. Havia muita comida, música (mariachis e bandas) e dança. Cinco de Mayo é uma das festas latinas mais importantes nos Estados Unidos, especialmente em estados como a Califórnia. A data celebra a coragem e determinação do povo mexicano durante a Batalha de Puebla (5 de maio, 1862) onde um exército mexicano de 4.500 soldados derrotou os mexicanos traitores (exilados mexicanos conservadores) e o exército de Napoleão que contava com 6.500 soldados. Puebla fica a 170 km da Cidade do México.

Nos Estados Unidos, esse feriado é às vezes confundido com o Dia da Independência do México (16 de setembro, 1810). Cinco de Mayo é celebrado somente em alguns estados no México. Essa data adquiriu maior importância nos Estados Unidos em 1967 quando um grupo de estudantes da California State University decidiu adotar a data porque até então não havia nenhum feriado nacional honrando a herança chicana. Chicanos se referem ao Latinos de ascedência mexicana nascidos nos Estados Unidos. Esses estudantes estavam tentando recuperar parte da sua identidade histórica e adotaram a Batalha de Puebla como símbolo da tenacidade do espírito latino e da luta para a criação do Programa de Estudos Chicanos (Chicano Studies). Desde então, esse feriado passou a simbolizar a garra dos latinos frente às adversidades, ao racismo e ao preconceito.

Embora essa seja uma celebração mexicana/chicana, o mês de maio honra a contribuição de latinos em geral na história dos Estados Unidos. Há eventos nas bibliotecas, nas escolas e documentários na televisão celebrando La Raza. Hoje, durante uma das apresentações na rua, um dos dançarinos de um grupo Azteca gritou: “Que viva Mexico, Viva La Raza, Vivan los Latinos.” E eu, embora seja latina hablante de portugués, também senti orgulho.

No contexto americano, "La Raza" é um termo associado à mestiçagem das Américas, as misturas entre os povos indígenas, os descendentes dos povos africanos que foram trazidos para as Américas como escravos, os imigrantes europeus e os colonizadores oriundos da península Ibérica. Quando utilizado por grupos latinos nos Estados Unidos, esse termo denota o orgulho nas tradições e culturas latinas.



Friday, May 04, 2007

Zuco 103 - Treasure - Tales of high fever



Zuco 103 é uma banda multinacional criada em 1999 pelo baterista holandês Stefan Kruger, o pianista alemão Stefan Schmid e a cantora brasileira Lilian Vieira. Lilian Vieira deixou o Brasil nos final dos anos 80 para estudar canto no Conservatório de Música em Roterdam. O grupo mescla a música eletrônica com a brasileira num ritmo meio jazzy, meio funky, meio Euro-pop. Eu os descobri por acidente faz uns cinco anos enquanto estava ouvindo cds novos na Tower Records.

Adoro colaborações internacionais. Tenho um carinho especial por essa banda porque a combinação de nacionalidades me lembra a mistura da minha família: Brazil, Holanda e Alemanha. A minha sogra, embora seja alemã, foi casada com um holandês e mora há muitos anos numa cidade perto de Amsterdam. Os músicos vivem em Amsterdam.

Eu fui à um show dessa banda em San Francisco há alguns anos e amei. A banda tem um astral incrível. Recomendo.

Bom fim de semana!

Thursday, May 03, 2007

Dia Mundial da Liberdade de imprensa

Vivendo perigosamente


Em 1993, as Nações Unidas declaram o dia 3 de maio como o Dia Mundial para a Liberdade de Expressão. Desde então, todo o ano comemora-se o Dia Mundial de Liberdade de Imprensa. Cresci durante a ditadura militar no Brasil, quando era comum encontrar receitas de bolo nos jornais em lugar de notícias e jornalistas eram perseguidos, torturados e mortos. Portanto, esse é um direito que eu levo muito a sério.

Quando era estudante de jornalismo eu sonhava em ser correspondente internacional. O meu sonho era documentar as guerras, a fome, os campos de refugiados, as grandes tragédias humanas. Não sei se esse sonho tinha a ver com um desejo de morte prematura ou com a fascinação pelo trabalho de pessoas que servem como testemunhas da história.

Nunca vou me esquecer de duas fotos que vi de Henri Cartier-Bresson. Uma foto retratava o funeral de Gandi e a outra era uma foto de um dos últimos eunucos na China antes da revolução. Essas são imagens icônicas de momentos históricos que ele teve o privilégio de presenciar.

Mas esse tipo de trabalho pode ter um preço muito algo. Li recentemente na BBC que nos quatro anos de ocupação das tropas estrangeiras no Iraque quase 200 jornalistas foram mortos. Os dados partiram de associações internacionais de jornalistas. No momento, o Iraque é o país mais perigoso do mundo para professionais da mídia.

Segundo a organização francesa Repórteres sem Fronteiras, aumentou também a incidência de sequestros de jornalistas no Iraque. Desde de 2003, 64 profissionais da mídia foram sequestrados e desses 17 foram executados. Entre os mortos, dois dos meus jornalistas favoritos: Terry Lloyd e Gaby Rado. O primeiro trabalhava para a ITN News e o segundo para o Channel 4, ambas emissoras de televisão inglesas. Leia mais aqui.

Em fevereiro, a RSF (Repórteres sem Fronteiras) publicou o saldo de 2006 para o resto do mundo. Somente em um ano 110 repórteres foram mortos, o número mais alto em uma década. Outros 871 foram aprisionados e quase 1.500 sofreram algum tipo de ataque. Leia mais aqui e aqui.

Alan Johnston, correspondente da BBC em Gaza, está desaparecido faz 52 dias. A BBC está conduzindo uma campanha de apoio ao jornalista, pedindo inclusive para que blogueiros divulguem a história em seus blogs.

Hoje em dia os meus sonhos são muito mais cautelosos. There is just so much tragedy my old heart can take.

Fotos: Google images e BBC online.





Adoro gatos


Adoro gatos

Eles possuem uma elegância discreta

Um ar de quem sabe o que quer

Até um agrado tem de ser na hora certa


É impossível ser dono de um gato

É ele quem escolhe com quem quer estar

Ele conhece todos os jardins do bairro

Sem ninguém levá-lo para passear


É um bicho boêmio

Só volta pra casa de madrugada

E sonha pela manhã

Como um caracól em cima da almofada


Adoro gatos

Eles são cool e sofisticados

Como alguns namorados

Que nunca vêm quando são chamados


Tenho muito em comum

Com esses animais aveludados


May 3

Feliz Aniversário, Anúbis!

Dois anos de puro charme, muita preguiça, algumas travessuras e a medida certa de companhia.

Wednesday, May 02, 2007



Borderless


I was born with a wondering heart

Thousands of miles away

In a city that never sleeps

Where you cannot see the horizon

But you can buy flowers at three in the morning

Millions of people coming and going

I can easily remember names of airports

Even though they always feel the same

I like watching the long list of destinations go by

Home is just a state of being

I belong to many places

My roots spreading all over

I strive for a world borderless

I have learned to mistrust flags

While stretching my heart

June 2006

Sem fronteiras

Eu nasci com um coração errante

A milhares de milhas daqui

Numa cidade que nunca dorme

Onde é impossível de ver o horizonte

Mas há como comprar flores às três da madrugada

Milhões de pessoas indo e vindo

Nomes de aeroportos

Eu me lembro com facilidade

Ainda que eles sempre pareçam o mesmo

Gosto de ver a lista das destinações a se desdobrar

Home é estado de espírito

Eu pertenço a muitos lugares

Minhas raízes se espalham

Luto por um mundo sem fronteiras

Aprendi a desconfiar de bandeiras

Enquanto meu coração se alarga

Tuesday, May 01, 2007
















Ninguém é ilegal

“Se ve, se siente,
el pueblo está presente”













Protesto que aconteceu hoje no campus da UC Berkeley pelos direitos dos imigrantes dando continuidade . Outros protestos aconteceram em Oakland, San Francisco e Sacramento.

O dia primeiro de maio está se tornando uma data marcante na luta pelos direitos do imigrante. No ano passado houve passeatas enormes com o lema “A Day Without an Immigrant” (Um dia sem um imigrante). Muitos imigrantes deixaram de trabalhar ou ir à escola naquele dia. Hoje também haviam cartazes pedindo para que os imigrantes e pessoas solidárias com a causa imigrante boicotasse o trabalho e as classes.